— Ei, psiu! Você, sim, você mesmo. — Olho para o espelho.
— Andei te olhando esses dias. Você não parece feliz, mas, ao mesmo tempo, não parece triste. — Penso em silêncio por alguns segundos.
Fiz um gesto. Ele imitou, parecia saber o meu próximo movimento.
— Quem é você? — pergunto, um tanto impressionado, mas sem medo.
— Não me reconhece? — ele pergunta, sorrindo em um tom meio debochado.
— Acho que sim, mas estou com um pouco de medo de errar — respondo timidamente.
— De que você anda com tanto medo, Sandro? — Ele parece um pouco irritado.
— Tenho medo de não gostar de me reconhecer... — O sorriso debochado dele já se transformou em um olhar mais intimidador.
— Infelizmente você já sabe que não vai gostar de algumas partes, mas vai ficar muito feliz com outras. Nada que não possa ser mudado ou corrigido. — Ele me olha como se eu estivesse fingindo não saber de algo. — Vejo você dizer na minha cara, algumas vezes, que "hoje é o dia!" e que tudo que não está bom vai mudar para melhor, que só depende de você... E agora vem com esse papinho?
Abaixo a cabeça, um pouco envergonhado.
— Seus medos não são diferentes dos de muita gente por aí. Tenho certeza de que, na maior parte do tempo, você teme ser criticado, que digam que você não está no caminho certo e blá-blá-blá. Estou certo?
— Tenho medo de não dizerem nada... — Dou as costas, encerrando a conversa de hoje.
Nenhum comentário:
Postar um comentário